Esta página integra a exposição filatélica temática “A Tísica”.
Páginas da exposição filatélica “A TÍSICA”, referente ao capítulo Ainda não.
O ensaio que inspirou a exposição - Ainda não - pode ser lido aqui.
A Tuberculose desafiou por muito tempo o desenvolvimento.
Ferrovias, energia elétrica, pontes, navios na vida cotidiana.
Microbiologia, antibióticos, vacinas, cirurgias na medicina.
Tudo avançava, mas a tuberculose ficava impassível, sem cura.
Peças filatélica do Brasil (1995), em homenagem a Wilhelm Conrad Röntgen, descobridor dos raios-X e Nobel de Física em 1901. Dinamarca (1960) em homenagem a Niels Rybeg Finsen, pai da fototerapia e Nobel de Medicina em 1903; primeiro tratamento eficaz para tuberculose cutânea. França (1965) em homenagem a Élie Metchnikoff, descobridor do processo de fagocitose e fundamental para o entendimento de infecções. Nobel de Fisiologia em 1908. Juntos, os três selos ilustram a evolução científica que permitiu enfrentar a tuberculose: terapia física (Finsen), diagnóstico por imagem (Röntgen) e conhecimento imunológico (Metchnikoff).
O único recurso terapêutico – os sanatórios – eram caros. Muita gente precisava deles.
Apesar dos avanços científicos, a tuberculose permanecia entre as principais causas de morte do planeta.
Congressos médicos eram frequentes.
Para financiar os sanatórios ou tentar mitigar a transmissão, campanhas se espalharam pelo mundo.
Envelope de primeiro dia de circulação relacionado à XIII Conferência da União Internacional contra a Tuberculose, em 1954. É uma peça filatélica temática única, pois une 3 pilares do enfrentamento da tuberculose na era pré-antibiótica: 1) A Cruz de Lorena, símbolo internacional das campanhas anti-tuberculose. 2) Congressos médicos para enfrentamento da doença que se espalhavam pelo mundo. 3) O cachet impresso com o retrato de Einar Holbøll (1865-1927), um funcionário postal dinamarquês que idealizou o primeiro selo de Natal antituberculose em 1904, na Dinamarca, para arrecadar fundos para sanatórios infantis. Os Christmas seals se tornaram peças icônicas mundiais do financiamento das campanhas de tuberculose.
Business Reply Mail circulado em 1959 (Easton para Orefield, PA). Aplicado cachet promocional da National Tuberculosis Association com a Cruz de Lorraine e ‘SUPPORT TB ASSOCIATION’. Exemplifica a disseminação de campanhas anti-tuberculose em correspondências comerciais cotidianas.
Envelope comercial do “Diário de Notícias” (Lisboa) para o Visconde de Peso de Melgaço (Aqualonga, Paredes de Coura), circulado em ~1933. Franqueado com selos de caridade da Assistência Nacional aos Tuberculosos (1932-1933). Exemplo clássico de filatelia social portuguesa dos anos 1930, ilustrando o uso de selos de caridade (cinderellas/portes francos) para financiar a campanha nacional antituberculose.
Envelope circulado de Toronto (Canadá) para Buffalo, EUA, de 1925. Cachet promocional ‘HELP THE MUS. HOSPIT. FOR CONSUMPTIVES’ (Muskoka Hospital for Consumptives, pioneiro sanatório para tuberculosos em Ontario). Representando campanhas provinciais focadas em isolamento e repouso ao ar livre.
Envelope circulado canadense de 1955 com cachet ‘STAMP OUT TUBERCULOSIS – BUY CHRISTMAS SEALS’, exemplificando a integração nacional pós-Confederação de Newfoundland (1949), com campanhas unificadas, detecção móvel e redução drástica da doença em regiões rurais e indígenas.
As guerras sempre foram períodos de explosão de casos da doença.
Fome, deslocamentos forçados, aglomeramento, eram a combinação perfeita para a disseminação da Tuberculose.
Nesses períodos, os sanatórios também foram utilizados como hospitais militares.
Cartão postal austro-húngaro circulado (1917) com carimbo publicitário “Solbäder – Bad Ischl”. A peça documenta a promoção comercial dos banhos salinos e do climatismo alpino como promessa terapêutica contra doenças crônicas, incluindo a tuberculose durante a Primeira Guerra Mundial.
Postal oficial belga da época da Segunda Guerra Mundial (1944). Cachet com campanha da luta contra a tuberculose. O remetente era incentivado a responder também com um selo antituberculoso.
Cartão postal, postado em Amsterdam em 1938, destaca a campanha anual “Emmabloem” (Flor Emma), promovida pela Associação Central Holandesa para o Combate à Tuberculose (”TUBERCULOSEBESTRIJDING”). O rótulo de caridade afixado, vendido em abril para arrecadar fundos, homenageia a Rainha Emma (1858-1934), “Rainha da Caridade”, que perdeu a irmã para a tuberculose e fundou em 1901, o primeiro sanatório holandês dedicado ao tratamento da doença: o Oranje Nassau’s Oord, em Renkum (Gelderland). Inaugurado pela Rainha Wilhelmina, o sanatório adotava a “cura ao ar livre” e priorizava pacientes pobres, via Emmafonds. Franqueado com selo definitivo de 2½ cent “Vliegende Duif” (NVPH 146, 1924), simbolizando a paz pós-guerra, o item exemplifica a filatelia social entreguerra. O carimbo posterior “4 CENSURA - Rio Grande do Sul” (1942-1945), aplicado durante a Segunda Guerra no Brasil, reflete como correspondências antigas foram retidas e examinadas em tempos de conflito – um testemunho raro da história global da tuberculose.
Postal ilustrado (postcard) enviado de Nova Yorke (EUA) para Montevideo (Uruguai) em 1946. Selo principal do Uruguai de 1949, com discrepância de datas, correspondendo a adição posterior ou uso filatélico. Cachet de estimulo a vacinação contra a tuberculose: “VACUNE SUS HIJOS CON EL BCG”, representando os esforços para redução da incidência das formas graves da tuberculose com a vacinação.
A Tuberculose mantinha um sonoro Ainda Não, a cura ainda não existia.
As campanhas se mantinham.
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