Esta página integra a exposição filatélica temática “A Tísica”.
O ensaio que inspirou a exposição - Ainda não - pode ser lido aqui.
A radiografia passou a ter importância no diagnóstico e estadiamento da doença. Entretanto a máquina de R-X de Roentgen era de grande porte e cara.
O brasileiro Manuel Dias de Abreu (1891-1962) desenvolveu na década de 30 a abreugrafia, permitindo a utilização da radiografia de tórax em escala populacional.
A abreugrafia permitiu transformar a radiologia em instrumento populacional, viabilizando campanhas de rastreamento em larga escala.
Carta de primeiro dia de circulação (1947) com carimbo em homenagem a Manuel Dias de Abreu. O selo é dedicado a Álvaro Alvim, pioneiro da radiologia e radioterapia no Brasil.
A abreugrafia se espalhou pelo mundo, pois permitia exames rápidos, baratos e móveis em grandes grupos populacionais.
Envelope postal ilustrado com bloco de 4 selos do tipo semi-postal com sobretaxa para fins de campanha contra a tuberculose. Groelândia, 1958. A emissão reflete os esforços pós-Segunda Guerra Mundial para erradicar a tuberculose, uma doença endêmica na região devido a condições de vida precárias. O navio “Misigssut” examinava a população, realizando exames em massa com a abreugrafia, contribuindo decisivamente para o controle da doença.
Estampa postal da República da Coréia do Sul (1961); Selo de Ryuku Islands (1967) – atual Okinawa, Japão e estampa postal da República do Mali (1965). Todas destacam o veículo móvel , como ícone mais reconhecível da campanha sanitária de utilização da técnica da abreugrafia. Juntas, as peças representam o caráter global da estratégia de rastreamento populacional que salvou milhares de vidas no século XX, levando o exame radiológico até as comunidades mais distantes.
Perfin “NF” – Nationalforeningen til Tuberkulosens Bekæmpelse Dinamarca, anos 1950. Selos perfurados usados pela principal associação nacional de combate à tuberculose.
A tuberculoseimpôs uma resposta global, mas não uniforme.
Em diferentes regiões, o combate à doença assumiu formas próprias — na educação, na infraestrutura, nos símbolos. A cruz de Lorena, adotada em muitos países, cede lugar ao crescente onde a cultura assim o exige.
Mudavam os idiomas, os símbolos e as estratégias. A tuberculose permanecia a mesma.
Somália, 1957. Envelope de primeiro dia da campanha antituberculose, Mogadíscio, com série completa de selos obliterados. A composição privilegia a educação e o cuidado materno-infantil como estratégia de combate à doença. No brasão postal, o crescente e a estrela indicam a inserção da campanha em um contexto cultural islâmico, onde a comunicação em saúde dialoga com símbolos locais.
Envelope de primeiro dia (Dubai, 1964) da campanha antituberculose associada ao centenário da Cruz Vermelha. A emissão substitui a Cruz de Lorena pelo Crescente Vermelho, demonstrando a adaptação simbólica das campanhas internacionais aos contextos culturais islâmicos.
Na ausência de tratamento, as campanhas de prevenção, o isolamento e a expectativa pela história natural da doença era o que restava.
Até quando?
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